Wednesday, August 22, 2007

Kim Alves Interview!

Monday, August 20, 2007

Wednesday, May 09, 2007

Danças das Ilhas - Uma leitura

Por Kwame Gamal Monteiro

1. APRESENTAÇÃO

O músico poli-instrumentista, produtor musical, arranjador,engenheiro de som, compositor e intérprete, estudioso da música de Cabo Verde, Joaquim Fernandes de Pina Alves (Kim Alves), vai fazer o lançamento do CD de música tradicional caboverdeana instrumental “Dança das Ilhas”. Este CD apresenta temas originais da nossa música (sendo a maioria da autoria do mesmo), com maior incidência nos rítmos de Santiago e Fogo, todos com tratamento altamente sofisticado (e ao mesmo tempo completamente acessível a qualquer leigo musical) em termos de harmonização melódica e rítmica, fruto de toda uma vida de recolhas e pesquisas dos rítmos realmente autóctones caboverdeanos.

O disco (totalmente produzido em Cabo Verde, no Kmagic Digital Studio) é uma compilação cultural de ritmos nacionais, onde a alma caboverdeana desfila todas as suas faces e seu esplendor de forma sublime e harmoniosa, constituindo-se, sem dúvida nenhuma, num documento etnográfico de valor inestimável.

O seu primeiro concerto a Solo em Cabo Verde.
O seu primeiro CD a Solo.

2. O PROJECTO ARTÍSTICO

Trata-se dum disco totalmente acústico e executado por uma orquestra de cordas caboverdeana, na qual o autor executa todos os instrumentos. É composto de doze temas:

1.Spritu’l Tabanka (Kim Alves)
Trata-se de uma tabanka cuja melodia é solada no violão nylon, e cuja estrutura harmonica é evidentemente jazzística. A música exalta a harmonia da tabanka di Chã di Tanque.

2. Bandera Nhô Sanfilipe (Kim Alves)
Um tema que exalta a bandera, rítmo exclusivo da Ilha do Fogo tocado por ocasião das festas de romaria, a um nível exclusivamente percurssivo (tambores), mas que aqui se apresenta enquadrado por uma harmonia de cordas onde as progressões e as escalas utilizadas conferem um carácter totalmente universalista.

3. Disgraça’l de um camponesa (Kim Alves)
Um Batuko,rítmo afro originário exclusivo da Ilha Santiago, no qual a melodia é solada no violino,instrumento tradicionalmente ligado à morna e à coladera, e que aqui é tocado com a técnica de execução da cimboa.Do mesmo modo, a orquestração de cordas presente confere ao rítmo uma mais-valia evidente.

4.Tarrafal (Djirga/Dick Oliveira Barros)
Conhecida morna tocada com técnica clássica,que no fim retorna à morna tradicional,só que os acompanhamentos e o solo são tocados num só violão de 6 cordas, ao mesmo tempo.

5. Tudo Funáná (Kim Alves)
Um funáná no qual se consegue, de forma magistral,conciliar num mesmo tema, as três variantes tocadas do funáná(funáná lento,funáná sambado e funáná “rapicado”),feito esse conseguido apartir da distribuição das variantes pelos instrumentos intervenientes, sem promover choques.

6. Borda’l pilon (Kim Alves)
Um tema que mistura harmoniosamente o finaçon com o canizadi, rítmo afro da Ilha do Fogo também tocado por ocasião das festas de romaria,numa orquestração de cordas inovadora.

7. Corintiano
Tema que homenageia o mestre Luis Morais, no qual se passa do chorinho para uma coladera de andamento rápido, onde o virtuosismo do guitarrista se faz valer pela velocidade de execução aliada a uma total clareza de cada nota tocada.



8. Doce Guerra (Antero Simas)
Tema que homenageia o compositor Antero Simas, magistralmente executado num violão nylon de 6 cordas,com a técnica clássica utilizada ao serviço da essência cultural caboverdeana.

9. Kesmyn Cristal (Kim Alves)
Tema que se constitui na “salada”mais completa do disco, na medida em que mistura a coladera,o funáná lento, a tabanka, o batuko e ainda a morna galope, numa harmonização riquíssima e moderna, evidenciando, e de que maneira, a riqueza rítmica nacional.

10. Violôn Rafilon (Kim Alves)
Um chorinho caboverdeano,composto aos dez anos de idade, no qual já se evidenciava claramente o virtuosismo do autor.

11. Newbedford(Taninho Evora/Luis Rendall)
Um chorinho caboverdeano homenageando o Mestre Luis Rendall, cujo título imortaliza a memória da cidade de Newbedford, porto de chegada de muitos caboverdeanos,nos idos tempos da pesca da baleia

12.Caxon ka tem cofre(Kim Alves)
Um funáná lento tocado com a técnica clássica num violão de 12 cordas,único capaz de suportar a execução simultânea do solo, dos acompanhamentos e da percurssão.


3. UMA ANÁLISE

O projecto Dança das Ilhas constitui-se num projecto de recolha, pesquisa e execução descodificada de rítmos caboverdeanos,para orquestra de cordas,baseando-se a pesquisa em dois pilares fundamentais: a pesquisa musical etnográfica,que procura estudar e apreender os rítmos autóctones no seu espaço social (os seus atores no seu quotidiano, e as emoções que lhe são subjacentes), e a pesquisa musical técnica que procura apropriar-se das linguagens técnicas da nossa música (dentro do seu referencial próprio), no sentido de compreendê-las cabalmente, com o objectivo último de perceber os espaços passíveis de aperfeiçoamento e refinamento técnicos, a bem da nossa cultura.

No tocante à etnografia musical, o disco aborda com incrível propriedade as linguagens métricas dos nossos rítmos (conferindo aos mesmos uma impressionante clareza), e descodifica as linguagens emocionais dos mesmos(substrato ímpar que os confere uma identidade própria) de forma simples ( acessível a qualquer leigo musical) e sofisticada (perceptível na razão directa com o entendimento musical do ouvinte), conseguindo, através das harmonizações melódicas e rítmicas, transmitir as sensações específicas a que cada rítmo convida em seu estado mais puro e popular ( nas ruas, no chamado “ terra terra” ) .
Não obstante, a pesquisa etnográfica ainda tem o mérito de trazer à tona, e de forma muito mais penetrante ( devido às harmonizações instrumentais introduzidas),ritmos nacionais de riqueza métrica estonteante que têm-se mantido escondidos do panorama nacional e confinados a momentos específicos (sem projecção mediática nacional) de festas regionais, como o são os rítmos bandera, bragamaria e canizadi, da ilha do fogo, dentre outros.

No tocante à pesquisa técnica no sentido da execução da nossa música, o disco poderá ser considerado como uma autêntica escola de música de Cabo Verde, na medida em que o domínio perfeito e virtuoso das técnicas tradicionais de execução (instrumentos de cordas e percurssivos para mornas e coladeiras, gaita e ferrinho para o funáná, e instrumentos de percurssão para os ritmos “desarmonizados” melódicamente como a tabanka, o batuko, a bandera, o canizadi, etc) permitiram ao autor a demonstração de toda a beleza harmónica da nossa música e também permitiram ao mesmo encontrar as fórmulas mais felizes de harmonização instrumental dos rítmos que tradicionalmente são exclusivamente percussivos, permitindo, assim, a manutenção dos padrões métricos e emocionais que constituem a sua identidade (a sua alma).

Por outro lado, e debruçando-se sobre o capítulo dos estudos evolutivos na apropriação e execução dos nossos rítmos, o autor apresenta estudos fabulosos de uso da técnica da guitarra clássica na nossa música (para violão de 6 cordas e guitarra de 12 cordas), nos quais a simultaniedade de execução de várias acções ao mesmo tempo confere uma beleza única às composições excutadas, elevando a nossa música tradicional a patamares de padrão elevado ( em termos de músicas do mundo).
As harmonizações de cordas (não só as melódicas e rítmicas mas também o convívio harmonioso entre os vários instrumentos, sem sobrecarregamento de células rítmicas) elaboradas para o funáná, a tabanka, a bandera e o canizadi, constituem-se sem dúvida num referencial seguro e confiável para o estudo dos mesmos pelos músicos nacionais, da velha e nova geração, visto que o sofisticamento técnico impele a um estudo mais rigoroso, e a fidilidade à emotividade singular de cada rítmo assegura uma continuidade evolutiva da nossa música, sem que caiamos no erro de desvirtuar a nossa música em nome de um pseudo-modernismo acrítico.

O legado dos chorinhos dos grandes violonistas caboverdeanos do passado (como por exemplo Luis Rendall e Tazinho), também apresenta-se, neste disco, em óptimo “ estado de conservação”, ou até renovado com o uso de harmonias mais refinadas.

Em termos específicos de harmonizações e escala utilizadas nos solos do mesmo, o CD
Dança das Ilhas erige-se, sem dúvida, numa verdadeira revolução harmónica na música de Cabo Verde e , ao mesmo tempo e felizmente, numa prova irrefutável de que é possível à música tradicional evoluir para patamares harmónicos que a fazem ombrear com qualquer música erudita ( clássica ou moderna) sem perder a sua identidade e sua alma.
Em suma, estamos perante um trabalho que, a nível nacional, se constitui numa referência ímpar para o estudo da nossa música tradicional, e , a nível internacional, se constitui numa importante janela de Cabo Verde no Mundo.

Posto isto, só nos resta afirmar que o projecto Dança das Ilhas representa, por agora, o estágio musicalmente mais elevado e refinado das pesquisas em música de Cabo Verde, ou seja, pode ser considerado um tomo importante da enciclopédia viva da música de Cabo Verde, isto é, um documento altamente recomendáve

Kim Djazz nos States!

Pelas news recentes Kim Alves está a bater forte nas portas do Djazz.
Participou há dias no grande evento na Florida e tocou com muito boa gente.
Kim Alves foi convidado para participar em vários festivais.

Força nha Primu!






Dance of the Islands!

Kim Alves Dança as Ilhas nos States!

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Friday, September 15, 2006



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Monday, January 30, 2006

A hora da Guitarra Berdiana

 
Por: Santos Spencer (http://www.caboverdeonline.com)
Nôs Jornal newspaper (USA)
Posted: 30 de Janeiro de 2006

O poli-instrumentista cabo-verdiano, Quim Alves, está prestes a concluir a gravação do seu primeiro disco a solo ao fim de mais de 25 anos de música, período durante o qual já produziu para cima de 40 discos de artistas dos mais variados estilos musicais, não só de Cabo Verde mais também de outros países.

Há muito tempo aguardado pelos muitos admiradores, o álbum estreia de Quim Alves terá 12 músicas todas elas tendo a guitarra como a rainha da uma orquestra que acaba por também conceder uma certa primazia ao violino e o cavaquinho.

Este projecto, que vinha sendo sucessivamente adiado desde a década de 80, ganha agora corpo com um reportário à base de géneros de grande impacto na tradição cabo-verdiana a saber, Tabanka, Ladaínha, Batuco, Morna, Coladera, Finaçon, Funaná, Bandera, Canizadi/Braga Maria e Choro no estilo da Boavista, alguns deles com laivos de jazz.

“Vai ser uma obra portadora da alma cabo-verdiana à base de instrumentos que constituem a espinha dorsal da orquestra cabo-verdiana”, realçou Quim Alves.

Para isso, Quim fez questão de utilizar instrumentos “made in Cabo Verde”, todos eles saídos do atelier do construtor Aniceto Gomes, para quem o solista faz uma grande vénia. “O meu amigo Aniceto é um génio na arte de fabricar instrumentos de corda e ele está ao nível dos grandes construtores mundiais. Na minha carreira já usei largas dezenas de guitarras e cavaquinhos e posso garantir que esses instrumentos que usei neste disco, feitos pelo Aniceto, são uma doçura capaz de tentar qualquer músico de craveira internacional”, salientou.

Numa altura em que a música de Cabo Verde está a chamar a atenção dos maiores lables internacionais, esta primeira auto-produção de Quim Alves, que já conta com 9 temas pré-mixados, já despertou o interesse da prestigiada editora europeia BMG-SONY.

Segundo este exímio artista canhoto, essa multinacional da indústria musical, que já tem vários temas desse disco em mãos, já manifestou vontade de incluir o produto final no seu catálogo, devendo o pacote ser negociado logo que as 12 faixas estiverem masterizadas, o que, segundo Quim, deverá acontecer em finais de Fevereiro.

Presentemente nos EUA, onde aguarda o nascimento de uma filha, que a sua cara-metade, Esmy Andrade, carrega no ventre, Quim disse a Nôs Jornal que esse seu disco irá incluir alguns duetos com prestigiados músicos da praça cabo-verdiana, entre eles, o seu irmão Káko Alves (guitarra), Totinho (sáx soprano) e Swagato (flauta), para além Kwame Gamal que se ocupou da percussão e dos búzios.

Como seria de se esperar, Quim, fruto da sua impressionante e invulgar polivalência, nesse trabalho, toca uma série de instrumentos mas com a particularidade de serem todos acústicos. E o argumento não poderia ser outro: “A história da música de Cabo Verde faz-se é com instrumentos acústicos”, destacou.

Refira-se que após ter passado por grandes conjuntos musicais, entre os quais, Abel Djassy, Os Tubarões e Finaçon, primeiro como guitarrista e depois alternando a guitarra e os teclados, Quim Alves lançou-se na produção musical, passando a ser o criador de alguns dos maiores sucessos discográficos dos últimos 15 anos. Citando apenas escassos exemplos, basta recordar que é ele o arranjador de obras como Livro Infinito, de Bana, Morango do Nordeste, de Roger, todos os discos de Zé Rui de Pina e Heavy H, Dog, de Chandinho Dedê, Boca Povo, de Jorge Neto, etc.
 

Um criador de sucessos
Em 2005, de entre outras criações de Quim Alves, os amantes da música de Cabo Verde vibraram com várias produções a destacar, “Conexão Praia /Dacar”, em parceria com Manú Lima, “Tarrafal Star”, obra que reuniu notáveis do Tarrafal, nomeadamente, Mário Lúcio, Chando Graciosa, Princezito, Ibrantino Costa, Bela e outros. Mas para o poli-instrumentista /compositor e arranjador, duas obras tiveram um significado especial: “O disco Crianças di Nôs Terra em colaboração com Nando da Cruz para além do seu elevado valor artístico, demonstrou quão grande é o espírito de solidariedade dos músicos cabo-verdianos. Mas tenho que realçar que disco de Batuco, Pó di Terra, para mim, também tem um significado especial pelo facto de nele eu ter reunido um grande número de adolescentes por volta dos seus 12/13 anos. É que sou de opinião que com a nossa cultura educamos os nossos jovens e prevenimos certos males sociais dando-lhe uma ocupação salutar.

Do estúdio de Quim Alves, K-Magic Studios, localizado na cidade da Praia, de entre outros discos, em 2006, deverão ser editadas obras dos seguintes artistas: Mayra Andrade, Nhonhô Hopffer, Djudja, Nanuto, João & Carlos (tradicional de Sto Antão) e Oba.

Aos 41 anos de idade, Joaquim Fernandes de Pina Alves, que foi recentemente condecorado pelo Primeiro-Ministro, JMN, “pelos seus alto serviços prestados à cultura” é, indiscutivelmente, uma das figuras maiores do panorama musical cabo-verdiano e africano, tanto é que, nesta sua brilhante carreira, já faz arranjamentos para vários artistas dos PALOP nomeadamente, Justino Delgado e Djipson (Guiné Bissau), Carlos Buruti e Nanuto (Angola).


Este artigo foi publicado na edição 21 do Nôs Jornal. Posted by Picasa